Home | Sobre o Museu

O museu é um espaço institucional permanente a serviço da sociedade e que tem um caráter educacional não formal, caracterizado pelo conhecimento descentralizado, simbólico e participativo, de motivação pessoal, que prima pela preservação, valorização e divulgação de todo e qualquer acervo que abriga em suas dependências. O Museu Casa de José Américo é um exemplo cabal deste universo cultural vivenciado na representação material da história e memória do patrono da instituição, que foi um dos mais importantes representantes da nossa literatura e da nossa política.

José Américo de Almeida nasceu em 1887, em Areia/PB. Formou-se na Faculdade de Direito em Recife em 1908, quando inicia sua carreira jurídica e, em 1922, publica sua primeira obra literária: “Reflexões de uma cabra”, novela a qual satiriza o comportamento dos nordestinos que emigram para outras terras. Em 1923 publica “A Paraíba e seus problemas”, ensaio em que reflete sobre seus estudos de Economia, Geografia Humana e Sociologia.

O livro “A Paraíba e seus Problemas” levanta questões como a de que o subdesenvolvimento do Nordeste não se deve à terra – que é fértil – nem ao homem – que é forte, mas sim a problemas eminentemente políticos. Segundo José Américo, a história do Nordeste desde os tempos de colonização, é feita de preterições e de abandono, daí as precárias condições de vida do seu povo, apesar das potencialidades da região. O livro é também o primeiro estudo feito no Brasil sobre o fenômeno do banditismo, abordado sob o ponto de vista sociológico, tema que ele dramatizaria mais tarde, em 1935, em Coiteiros, novela em que retrata a ação dos cangaceiros nos confins do Nordeste.

A mesma coerência temática do autor é observada em O Boqueirão, também em 1935, agora encaminhando o assunto para uma ação paralela – a idéia da construção dos grandes açudes, associada à solução da irrigação.(CASTRO, 1987, p. 17)

O romance “A bagaceira”, publicado em 1928, confere a José Américo reconhecimento nacional como escritor. Esta obra é considerada um marco por inaugurar o regionalismo moderno na Literatura Brasileira, retratando o sertão paraibano e a miséria crônica nordestina, como resultado de políticas sociais em detrimento de uma visão fisiográfica. Sua importância se expressa em três edições em língua estrangeira (Inglês, Espanhol e Esperanto), além de já se encontrar na sua 42ª edição em língua portuguesa.

Desmistificando a seca, o romance paraibano encontra sua força de denúncia na ironia do contraste estabelecido entre a "natureza privilegiada" do brejo e a degradação humana, vinculando o estado degradado à estrutura moral e sócio-econômica que A Bagaceira personifica. Nesta perspectiva, a funcionalidade da paisagem não deixa margem a que se confunda sua exuberância com o descritivismo de efeito meramente pitoresco. Pois, além de tornar mais chocante a miséria humana, "a verdura perene" desmascara a face desértica forjada como identificação do Nordeste, em decorrência da ação dos "exploradores das secas". Em tais circunstâncias, o paisagismo de A Bagaceira se faz intencional recurso expressivo no sentido de superar a falsa imagem dos problemas da região, "cujas reais possibilidades de desenvolvimento passaram a ser subestimadas, falando-se na inevitabilidade de seu abandono” (ALMEIDA, 2006 p. 96).

Além do destaque na literatura, José Américo também se destacou na política, sendo que em 1930 foi eleito Deputado Federal e participou ativamente da Revolução daquele ano, juntamente com João Pessoa, combatendo o Coronelismo, política esta que prejudicou enormemente o desenvolvimento social, político e econômico nordestino. Com esta atuação, José Américo ganha destaque nacional, pois conta, em sua folha de serviços, realizações que raramente se combinam: o reconhecimento literário, a lealdade e a firmeza de comando em tempos de guerra, e uma experiência administrativa que o creditava a reeditar, no plano nacional, o espírito modernizante e reformista já instaurado na Paraíba por João Pessoa.

Na década de 50, além de ter sido governador da Paraíba e Ministro da Viação e Obras Públicas, funda, em 1956, a Universidade Federal da Paraíba, sendo o seu primeiro reitor e dando continuidade a sua obra política e literária cujo enfoque sempre foi a questão nordestina.

Na década de 60, é eleito membro da Academia Paraibana de Letras (1965) e Academia Brasileira de Letras (1967). Neste ultimo ano, publica “Discursos Acadêmicos” e “O ano do Nego”, contendo narrativas de episódios vividos em 1930, com depoimentos referentes à Revolução Liberal. Já na década de 70, sua trajetória continua marcada por várias publicações de narrativas históricas e poéticas, sempre enaltecendo a cultura nordestina.

Em 10 de março de 1980, José Américo morre em sua residência e é sepultado com honras de Ministro de Estado. Em dezembro do mesmo ano, é criada pelo então Governador Tarcisio de Miranda Burity a “Fundação Casa de José Américo”, na casa onde o Imortal viveu os últimos 22 anos de sua vida, e que atualmente abriga o “Museu Casa de Jose Américo”.

É do conhecimento dos estudiosos da história da educação o caráter elitista da educação brasileira. José Américo de Almeida, embora não fuja a esta regra, contribuiu enormemente para a educação com a criação de colégios agrícolas e da Universidade Federal da Paraíba, estendendo-se ainda ao setor artístico e cultural, criando na capital a Escola de Música Antenor Navarro. Estes feitos, sobretudo para o Nordeste e a Paraíba em particular, impulsionaram a universalização da educação e o desenvolvimento para uma região a qual tinha como principal flagelo a seca.